São João de Braga 2008
Cidade vive a noite sanjoanina com muitos cânticos e danças da alma popular.Uma das mais genuínas exteriorizações da alma minhota sai hoje à rua. As festas de S. João estão aí, por muitos lugares do Minho, com destaque para as de Braga, com a multidão a deixar-se afogar, alegremente, na noite mais longa do ano.Hoje, um pouco por todo o norte do país vivem-se as festas do seu santo popular. O S. João convida cidades, vilas e até aldeias para a folia popular, onde pode haver motivos de queixa, excepto de falta de alegria, cor, barulho e banhos de multidão. Rivalizando com o Porto, a cidade de Braga recebe esta noite um "formigueiro" humano, num rodopio centrado em três artérias principais: Avenida Central, Parque da Ponte e Largo do Pópulo.Na velha Bracara Augusta, a tertúlia mistura-se com o tradicional ambiente dos cânticos e dançares minhotos, onde, logo pela manhã, bandas filarmónicas, grupos de zés-pereiras, bombos, gaiteiros, gigantones e cabeçudos, grupos folclóricos, tocatas e rusgas anunciam a grande festa de arromba do S. João.Um dos grandes momentos sanjoaninos tem lugar, ao principio da noite, com o tradicional cortejo das rusgas, considerado um momento ímpar, para apreciar a riqueza do traje e a beleza das danças e cantares do povo. Trata-se, sem dúvida, da única manifestação genuinamente popular de cor e alegria exuberante que se realiza em Portugal. Ao todo, serão cerca de 100 grupos e mais de mil figurantes naquela que é já a noite mais longa do ano.Para os estômagos famintos quase a pedirem pelos "santinhos" sardinhas do S. João (e muito vinho verde), o Parque da Ponte, como manda a tradição, oferece uma oferta variada de barracas, onde não faltam também outros pratos típicos da região, como bacalhau, cabrito e a posta de carne.Em 1750, no Campo da Vinha, foi criado um cerco de trincheiras onde no meio foi instalada uma cozinha. Um boi inteiro recheado com enchidos, galinhas e coelhos foi cozinhado por um cozinheiro estrangeiro criado no Porto. No cerco, existia ainda um chafariz de onde brotava vinho. A um canto estavam prateleiras com utensílios de barro vindos de Prado, no outro havia pães de trigo e no meio a enorme mesa.Cada pessoa tinha direito a um prato de carne, vinho e um pão de trigo. Dizem os relatos que "se gastou muito dinheiro" e que a festa durou até o boi acabar. Uma bandeira com a imagem de S. João de um lado e com as armas do juiz do outro, sinalizava os interessados do banquete. Três grandes fogueiras eram acesas na antiga Praça dos Touros, actual Praça do Município.No ano de 1901, a corrida do porco preto marcou o S. João bracarense. Quando a cidade estava rodeada de um matagal, os cavaleiros tinham, por hábito, correr atrás dos javalis que iam povoando os arredores da cidade, num local onde hoje está situado o Campo de S. João. Com o crescimento de Braga, o mato foi dando lugar às pessoas e os javalis foram desaparecendo. Mas para não acabar com a tradição, o mesário das festas ficava encarregue de engordar um porco preto durante o ano. No dia 24, no Monte Picoto, o porco era solto e perseguido pelos cavaleiros que o encaminhavam para o rio, onde era recebido pelos populares: havia os que incitavam o porco a atravessar o rio e havia os que tentavam impedir que tal acontecem. O motivo era simples: se passasse para a outra margem, o porco era degustado pelos moleiros, se não passasse o banquete era para os forasteiros. Os cavaleiros eram depois presenteados com cestas com frutas elaboradas pelas namoradas ou pelas mães.Um comerciante, de seu nome Carvalho chegou a presidente da comissão de festas. A primeira decisão que tomou foi acabar com venda e o uso do alho porro. É que os martelos de plástico estavam a dar os primeiros passos nos festejos e o comerciante viu aí, uma excelente oportunidade de negócio.Recentemente, uma enxurrada levou os Santos do Rio Este pela água abaixo. O que as pessoas não sabem é que no passado já situação idêntica havia sido experimentada. A situação mais grave ocorreu em Junho de 1779, quando 30 pessoas morreram afogadas. Umas alminhas perto do Parque da Ponte está lá para lembrar a tragédia. 2008-06-22magalhaes costa
Channel: Travel & Events
Uploaded: November 30, 1999 at 12:00 am
Author: GabKoost
Length: 09:55
Rating: 4.43
Views: 3697
Tags: Braga Concertina demopsicologia Etnografia Folclore João Minho Populares Portugal Rancho Rusgas Santos São
Video Comments
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easelch (November 30, 1999 at 12:00 am)
Saudades de Braga...
ricardofreitasl (November 30, 1999 at 12:00 am)
eu peço perdao, ja tantos elogios vi a este documentario (que está excelente) mas.. falta o principal! a Dança do Rei David! é algo unico no mundo, uma cidade com mais de 2200 anos de história, o S.Joao é a melhor festa do país pelas suas caracteristicas unicas! A Dança do Rei David, a Cultura Celta de que somos orgulhosamente portadores em toda a peninsula...
alvarojustino (November 30, 1999 at 12:00 am)
só espero que o sentido lúdico e sentido capitalista desta festividade não diminua a tradição! |
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